domingo, 16 de maio de 2010

Processo ensino aprendizagem: um novo olhar nas práticas de ensino.






A avaliação no processo ensino-aprendizagem é um tema bastante delicado. Possui implicações pedagógicas que extrapolam os aspectos técnicos e metodológicos e atinge aspectos sociais, éticos e psicológicos importantes. Sem a clareza do significado da avaliação, professores e alunos vivenciam intuitivamente práticas avaliativas que podem tanto estimular, promover, gerar avanço e crescimento, quanto podem desestimular frustrar, impedir esse avanço e crescimento do sujeito que aprende. Existem, pois efeitos diretos, explícitos e efeitos indiretos, implícitos (ocultos), que são associados aos processos avaliativos no ensino.

Dentro da perspectiva de integração do que ocorre no processo educativo entendemos que a prática avaliativa é uma das formas mais eficientes de instalar ou controlar comportamentos, atitudes e crenças entre os docentes, podendo ser positivas ou destrutivas de suas possibilidades de desenvolvimento, pelo poder que encerra e pela importância que tem enquanto mecanismo de inclusão ou exclusão social, através das marcas burocráticas e legais impregnadas na sua utilização.

É um processo contínuo visando a correção das possíveis distorções e ao encaminhamento para a consecução dos objetivos previstos. Trata-se da continuidade de informações aos alunos e não da continuidade de provas. Assim, é um processo que leva a aprovação porque leva à aprendizagem. (MASETTO, 1997, p.98)

Assim sendo, a avaliação, procedimento do ritual pedagógico, aponta segundo CAMARGO (1996), responsabilidades a serem assumidas pela escola junto ao aluno, do ponto de vista escolar e social. Enquanto a avaliação externa tem sido imposta em nosso sistema educacional, a avaliação que se dá no micro espaço da sala de aula pouco tem mobilizado os docentes para as mudanças qualitativas de suas ações pedagógicas, na maioria das vezes, a partir dos resultados obtidos. Daí nos preocuparmos com os aspectos pedagógicos da avaliação mais que com os administrativos. Daí nos preocuparmos em saber como se dá a avaliação existente em nossas escolas e que efeitos deixam para a vida escolar dos alunos.

Um estudo desta ordem tem a finalidade de acrescentar informações para a própria comunidade alunos da educação infantil, alunos do ensino fundamental e Médio – do que nós professores fazemos, em que resultam nossas ações avaliativas reveladas pelos alunos e, à luz da literatura já existente, apontar caminhos para o que podemos fazer em termos de avaliação no ensino, de modo que essa prática seja exercida dentro de seu sentido ontológico, de diagnóstico para a promoção do desenvolvimento.

Os professores, muito preocupados com o domínio de conteúdo, nem sempre conseguem dar conta dos aspectos pedagógicos de seu trabalho. Daí a necessidade de centrar esforços de investigar seu ensino, refletir sobre ele e chamá-los (os professores) a participar dessa reflexão de diferentes formas que ao encontrar a informação, seja capaz de analisá-la, criticá-la, e ter competência de elaboração própria com os referenciais pesquisados. A avaliação faz parte da vida e é uma operação descritiva e informativa nos meios que emprega a intenção que lhe preside e independentes face à classificação. De âmbito mais vasto e conteúdo mais rico, a avaliação constitui uma operação indispensável em qualquer sistema escolar. Havendo sempre, no processo de ensino/aprendizagem, um caminho a seguir entre um ponto de partida e um ponto de chegada, naturalmente que é necessário verificar se o trajeto está a decorrer em direção à meta, se alguns pararam por não saber o caminho ou por terem enveredado por um desvio errado. Para isso, o professor deve apresentar uma metodologia apropriada e coerente com a realidade sócio-cultural do aluno. O professor não deve perder de vista o foco principal de que a avaliação não um fim em si mesmo, mas um processo contínuo em que o mesmo estará a cada dia tendo novas oportunidades para repensar sua produção de conhecimento, pois, a avaliação é a parte mais importante de todo o processo de ensino-aprendizagem mediando o processo ensino/aprendizagem já que oferece recuperação imediata, promove e vibra junto a cada aluno em seus lentos ou rápidos progressos.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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ABREU, Maria Cedia de; MASETTO, M.T.. . O Professor Universitário em aula: prática e princípios teóricos. 8ed. São Paulo: MG Ed. Associados, 1990.

HOFFMAN, J. Avaliação mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Editora Mediação, 1993. 20ª Edição revista, 2003.

SORDI, M.R.L. Alternativas Propositivas no campo da avaliação: por quê não?. IN: CASTANHO, Sérgio e CASTANHO, Maria Eugênia L.M. (Orgs). Temas e textos em metodologia do ensino superior. Campinas,SP: Papirus, 2001.

ROMANOWSKI, J.P. e WACHOWICZ, L.A.Avaliação Formativa no Ensino Superior: que resistências manifestam os professores e os alunos. IN: ANASTASIOU, L.G.C. e ALVES, L.P. (Orgs). Processos de Ensinagem na Universidade: pressupostos para as estratégias de trabalho em aula. Joinville,SC: UNIVILLE, 2003.

ANASTASIOU, L.G.C. e ALVES, L.P. (Orgs). Processos de Ensinagem na Universidade: pressupostos para as estratégias de trabalho em aula. Joinville,SC: UNIVILLE, 2003.

HAAS, Célia.M. Reflexões interdisciplinares sobre avaliação da aprendizagem. IN: MENESES, J.G.C. e BATISTA, S.H.S.S. (Orgs). Revisitando a prática docente interdisciplinaridade, políticas públicas e formação. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003.

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